Taxa de juros real na prática: quando escolher Selic, Prefixado ou IPCA+
Taxa de juros real na prática: quando escolher Selic, Prefixado ou IPCA+
Pare de olhar só a taxa nominal. Veja como descontar a inflação esperada e tomar decisões melhores na renda fixa.
O que é “juros real” (e por que isso importa)
Juros real é o retorno do investimento descontada a inflação. É o quanto o seu poder de compra realmente cresce. Em cenários de inflação elevada, uma taxa nominal aparentemente alta pode virar ganho real baixo — ou até negativo.
A fórmula que resolve 90% das dúvidas
Equação de Fisher (exata): 1 + j_nominal = (1 + j_real) × (1 + inflação)
Isolando o juro real: j_real = (1 + j_nominal)/(1 + inflação) − 1
Para contas rápidas (valores baixos), use a aproximação: j_real ≈ j_nominal − inflação.
Exemplos didáticos (passo a passo)
- Prefixado 12% a.a. com inflação esperada de 6% a.a. → j_real = 1,12 ÷ 1,06 − 1 = 1,056603… − 1 = ≈ 5,66% a.a.
- Pós (Selic/DI) 15% a.a. com inflação esperada de 5% a.a. → j_real = 1,15 ÷ 1,05 − 1 = 1,095238… − 1 = ≈ 9,52% a.a.
- IPCA+ 5,5% a.a. → os 5,5% já são juros reais. Se a inflação ficar em ~4% a.a., a taxa nominal ex-post seria (1,055 × 1,04 − 1) ≈ 9,72% a.a.
Onde buscar a “inflação esperada”
Use expectativas públicas de inflação (consenso de mercado) ou a inflação implícita estimada pela diferença entre taxas nominais e reais negociadas em títulos. A ideia é projetar o que o mercado espera para o IPCA e, então, aplicar na fórmula.
Como cada título se comporta
Pós-fixados (Selic/DI)
- Pra que servem: caixa, reserva de emergência e objetivos de curto prazo.
- Vantagens: baixa oscilação de preço; liquidez elevada.
- Risco principal: ganho real depende da inflação que de fato ocorrer.
Prefixados
- Pra que servem: horizontes definidos quando você acredita em queda de juros/inflação ao longo do tempo.
- Vantagens: podem capturar valorização (marcação a mercado) se as taxas caírem após a compra.
- Cuidados: oscilam com expectativas; carregar até o vencimento reduz o risco de vender no prejuízo.
IPCA+ (NTN-B)
- Pra que servem: metas de longo prazo com preservação de poder de compra (aposentadoria, faculdade, sucessão).
- Vantagens: contratam juros reais + inflação.
- Cuidados: também sofrem marcação a mercado no curto/médio prazo.
Tabela-resumo (escolha por objetivo)
| Objetivo | Horizonte | Produto sugerido | Por quê |
|---|---|---|---|
| Reserva e caixa | Curtíssimo/curto | Pós (Selic/DI) | Baixa oscilação e liquidez |
| Compra planejada | Médio | Prefixado | Trava taxa nominal; pode valorizar se juros caem |
| Aposentadoria/estudos | Longo | IPCA+ | Garante juros reais + proteção de inflação |
Marcação a mercado (MM): entenda de uma vez
A MM é a atualização do preço do título ao valor negociado no mercado secundário. Se as taxas de mercado subirem após a sua compra, o preço cai (e vice-versa). Isso afeta principalmente prefixados e IPCA+. Para quem leva até o vencimento, o que vale é a taxa contratada; para quem resgata antes, pode haver ganho ou perda de curto prazo.
Checklist de decisão em 3 passos
- Defina prazo e liquidez (isso manda mais do que a taxa).
- Estime a inflação esperada e calcule o juro real com a fórmula.
- Diversifique entre pós, pré e IPCA+ conforme objetivos.

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